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Teses ► Mestrado

 

Referência Bibliográfica


MARQUES, R. (2004) – Contribuição para o conhecimento da instabilidade geomorfológica nos Açores: Estudo de movimentos de vertente associados a diferentes mecanismos desencadeantes. Dissertação​ de Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos, Departamento de Geociências, Universidade dos Açores,  147p.

Resumo


Decorridos quase cinco séculos desde a chegada dos primeiros navegadores portugueses ao arquipélago dos Açores, muitos são os documentos que reportam episódios de instabilidade geomorfológica desencadeada por sismos, erupções vulcânicas e por grandes tempestades, os quais marcaram a curta História do arquipélago, deixando um rasto de morte e destruição.

 

O peculiar enquadramento geodinâmico dos Açores reflecte-se, naturalmente, na relevante actividade sísmica e vulcânica registada na região, normalmente geradora de fenómenos secundários, como os movimentos de vertente. A situação geográfica dos Açores é, por outro lado, propícia à ocorrência de períodos marcados por precipitações elevadas, factor que tem estado, igualmente, na origem de importantes movimentos de vertente no arquipélago.

 

Este trabalho, enquadrado no projecto europeu RETINA (Realistic Evaluation of Temporal Interaction of Natural Hazards), teve como principal objectivo focar a ligação directa entre sismos, erupções vulcânicas e factores meteorológicos com o desencadear de movimentos de massa no arquipélago. Deste modo, foi dada continuidade ao estudo dos movimentos de massa na ilha de São Miguel, enriquecendo a Base de Dados de Movimentos de Vertente, que tem vindo a ser elaborada no âmbito do projecto em causa.

 

Neste contexto, procedeu-se à análise de alguns dos movimentos de vertente, que de algum modo, marcaram o passado e o presente da História Insular. Esses movimentos foram seleccionados, não apenas em função do seu impacte socio-económico, mas também tendo em consideração factores desencadeantes que presidiram ao seu desenvolvimento. Eventos como a escoada detrítica de Vila Franca do Campo, associada ao sismo de 1522 e os movimentos superficiais ocorridos por todo o concelho da Povoação, relacionados com factores meteorológicos adversos em 1997, todos na Ilha de São Miguel, ilustram tal multiplicidade de factores desencadeantes, tendo constituído uma excelente base de trabalho.

 

O estudo da escoada detrítica de Vila Franca do Campo, em 1522, responsável pela morte de cerca de 5000 pessoas, baseou-se na análise de documentos históricos e em várias campanhas de campo, nas quais se procedeu à identificação do depósito, sua inserção na estratigrafia da ilha e caracterização sedimentológica. O depósito ocupa uma área de aproximadamente 5 km2, ocupando uma posição estratigráfica muito bem definida entre o depósito do Furnas C (1870 +/- 120 BP) e o depósito distal da erupção vulcânica de 1630 AD. A utilização de um modelo para a simulação de fluxos gravíticos, baseado no algoritmo de Monte-Carlo, permitiu obter uma imagem próxima da realidade vivida em Vila Franca do Campo e avaliar o impacte que um fenómeno similar teria nos dias de hoje.

 

Por último estudou-se o caso dos numerosos movimentos de vertente superficiais desencadeados por factores climatológicos no dia 31 de Outubro de 1997, no concelho da Povoação, responsáveis pela morte de 29 pessoas. Para tal, foi feita a análise da distribuição espacial dos movimentos de vertente e a sua caracterização. Foram ainda analisados os registos de 26 anos de precipitação diária compreendidos entre os anos climatológicos de 1976/77 e 2001/02, referentes à estação meteorológica de referência da Lagoa das Furnas, de modo a caracterizar os padrões de precipitação do concelho.

 

Com o objectivo de compreender o papel das chuvas antecedentes no desencadear da catástrofe foram aplicados diferentes métodos de reconstituição das chuvas acumuladas para diferentes intervalos de tempo. Estes permitiram demonstrar a existência de duas fases distintas de precipitação no desencadear dos movimentos de vertente registados no dia 31 de Outubro de 1997: (1) um período preparatório chuvoso, nos 15 dias antecedentes à ocorrência, responsável pela destabilização dos taludes e (2) um período mais curto caracterizado por chuvas muito intensas, nas 24 horas antecedentes, o qual desempenhou um papel fundamental no desencadear dos movimentos de vertente.

 

Recorrendo à teoria dos valores extremos, a qual desempenha um papel fundamental na modelação de eventos associados a probabilidades muito pequenas ou eventos raros, utilizou-se a função de distribuição dos valores extremos de Gumbel, com a qual foram calculados o período de retorno, fixado em 24,9 anos, e a probabilidade de ocorrência de um fenómeno similar no futuro de 4,1 %.

Observações


Anexos