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Teses ► Mestrado

 

Referência Bibliográfica


CARMO, R. (2004) – Geologia estrutural da região Povoação - Nordeste (ilha de S. Miguel, Açores). Dissertação​ de Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos, Departamento de Geociências, Universidade dos Açores, 121p.​

Resumo


O arquipélago dos Açores localiza-se na junção tripla entre as placas litosféricas Eurasiática, Americana e Africana, cujas fronteiras correspondem à Crista Média Atlântica e à Zona de Falha Açores-Gibraltar. A placa Americana situa-se a ocidente do rifte enquanto que as placas Eurasiática e Africana se situam a oriente, separadas pelo troço ocidental da estrutura Açores-Gibraltar.

 

Devido ao contexto geotectónico em que se inserem, as ilhas dos Açores são palco de uma actividade sísmica e vulcânica significativa. Desde o seu povoamento, no século XV, existem testemunhos de importantes crises sísmicas, com abalos, em geral, de magnitude intermédia a fraca. Menos frequentemente têm ocorrido, também, terramotos com magnitude elevada, de que é exemplo o sismo de 1980 que ultrapassou a magnitude 7. Relativamente à actividade vulcânica foram registadas pelo menos 26 erupções nos grupos central e oriental nos últimos cinco séculos.

 

O objectivo principal do presente trabalho consistiu no estudo tectónico da região Povoação-Nordeste, tendo-se procedido à identificação, cartografia e caracterização geométrica e cinemática das falhas observadas.

 

Para além das falhas, a região estudada é cortada por uma densa rede de filões cujas atitudes variam no espaço. Estes parecem dispôr-se radialmente em torno do edifício vulcânico do Nordeste, variando as direcções desde NNW-SSE no sector do Faial da Terra, passando a NW-SE em Água Retorta e aproximando-se de W-E no Nordeste. Na região da Povoação as direcções dominantes são NW-SE, incompatíveis com o campo radial do Nordeste, pelo que os filões poderão pertencer ao edifício vulcânico da Povoação, apresentando um controlo tectónico regional.

 

Os acidentes tectónicos afloram principalmente nas arribas litorais e, ocasionalmente, em taludes de estradas ou em antigas pedreiras sendo a extensão observável das estruturas principais muito limitada devido quer à densa cobertura vegetal no interior, quer à própria dimensão da ilha.

 

A área estudada encontra-se recortada por três conjuntos de falhas de direcções distintas. As mais desenvolvidas têm direcção NW-SE a WNW-ESE, enquanto que as menos representativas apresentam direcções NNW-SSE e NE-SW.

 

A cinemática foi deduzida a partir de estrias em planos de falha e do deslocamento de marcadores estratigráficos.

 

Os dados da cinemática demonstram que a região estudada é caracterizada pela ocorrência de quatro famílias de falhas principais. As estruturas de direcção NW-SE a WNW-ESE apresentam estrias indicando movimentações oblíquas esquerda normal e movimentações oblíquas direita normal, as estruturas de direcção NE-SW apresentam movimentação oblíqua direita normal e as estrias observadas nas falhas de direcção NNW-SSE indicam movimentações oblíquas esquerda normal.

 

Estes dados mostram a ocorrência de duas populações de falhas conjugadas incompatíveis: estruturas WNW-ESE direitas normais conjugadas de estruturas NNW-SSE esquerdas normais e falhas WNW-ESE a NW-SE esquerdas normais conjugadas de falhas NE-SW direitas normais. Cada uma destas famílias é constituída por dois conjuntos de falhas com inclinações fortes (50º-85º) e mergulhando em sentidos opostos. Ambas as situações são características de deformação tridimensional, contudo indicam a ocorrência de dois campos de tensões distintos, separados no tempo ou no espaço.

 

O primeiro conjunto de falhas conjugadas é compatível com o campo de tensões actual, transtensivo, definido para a Plataforma dos Açores, apresentando compressão máxima horizontal orientada segundo NW-SE, tracção máxima horizontal na direcção NE-SW e com eixo vertical igualmente compressivo, que pode alternar, por permutação entre s1 e s2, com um campo de tensões com compressão máxima vertical e tracção máxima horizontal NE-SW.

 

A segunda população é “anómala” e, aparentemente, incompatível com o campo de tensões actual, indicando um campo com compressão máxima horizontal orientada segundo E-W, tracção máxima horizontal na direcção N-S e eixo vertical igualmente compressivo. Não foi possível determinar a relação temporal entre os dois campos de tensões. Por um lado, pode ser mais antigo e resultar de um curto episódio de inversão no sentido de cisalhamento. Assim sendo, a taxa de expansão da Crista Média a S terá sido superior à taxa de expansão a N, fazendo com que as falhas WNW-ESE a NW-SE direitas normais passassem a jogar como esquerdas normais, gerando-se falhas conjugadas NE-SW direitas normais. Alternativamente, pode ser mais recente e corresponder a uma mudança no espaço do campo de tensões relacionado com o afastamento à dorsal e a entrada numa região em compressão
E-W.

 

Os dados de tectónica foram introduzidos na Base de Dados AZORIS, criada pelo Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos para armazenar toda a informação necessária ao estudo dos riscos naturais, incluindo a perigosidade e a vulnerabilidade, na região dos Açores. Para incorporar toda a informação associada à tectónica foram criadas três tabelas: Localização Geográfica para a identificação das estações de campo com as respectivas coordenadas UTM; Falhas com os dados das falhas; e Filões, com os dados dos filões.

 

O estudo da sismicidade da região Açores-Gibraltar permite deduzir acerca da actividade associada aos principais acidentes tectónicos activos – fronteiras de placas e zonas de fractura. Na região dos Açores a actividade sísmica, distribui-se por toda a faixa de deformação designada por Centro de Expansão Oblíqua dos Açores.

 

A determinação de mecanismos focais permite identificar, em cada região, o estilo de movimentação tectónica actual, possibilitando as correlações entre este tipo de informação geofísica e os dados de natureza geológica.

 

A informação sísmica disponível é compatível com o padrão tectónico determinado por Madeira e Ribeiro (1990) e Madeira (1998), com base em dados de neotectónica, e Lourenço et al. (1998), com base em dados morfotectónicos, neotectónicos e sísmicos. Na maioria dos mecanismos focais publicados, verifica-se uma boa correlação entre um dos planos nodais e as estruturas tectónicas deduzidas da interpretação do mapa batimétrico do arquipélago, ocorrendo eventos sísmicos em desligamento direito segundo planos orientados WNW-ESE a NW-SE, em desligamento esquerdo em estruturas com direcção NNW-SSE a N-S, ambos com proporções variáveis de componente normal.

 

O campo de tensões “anómalo” deduzido no presente trabalho, apenas encontra expressão nas soluções publicadas para os casos dos sismos de 8 de Maio de 1939, de magnitude 7.1, e de 23 de Novembro de 1973, de magnitude 4.9. A sua interpretação está dependente da realização de estudos mais pormenorizados abrangendo toda a ilha de S. Miguel.

Observações


Anexos